Pesquisar este blog

Total de visualizações de página

sábado, 2 de abril de 2011

O passo-a-passo na montagem do seu home theater


por Vinicius Barbosa Lima
Quando se busca o melhor rendimento de um home theater, é automática a relação com um upgrade. O problema é que andar na crista da onda tecnológica custa caro, e a tão falada relação custo-benefício nunca é linear, tampouco lógica.
Assim, para se obter um ganho real da ordem de 10% ou 20%, é quase sempre necessário investir outros 200% ou 300%. E quanto mais elevado o nível da configuração atual, maior o disparate. Começa, então, o dilema: em que etapa do sistema mexer? Qual equipamento trocar? E, principalmente, de onde tirar dinheiro para tudo isso?
     Em primeiro lugar, é bom ter em mente que seu sistema atual ainda pode ter alguma gordura para queimar. E o melhor: talvez o segredo da alta performance esteja nos detalhes, que costumam ser ignorados. A seguir, mostramos que esses detalhes, quando somados, podem garantir os mesmos benefícios de um real upgrade de equipamento, porém, custando bem menos, ou nada. Confira!

     
O sucesso ou fracasso de um sistema de áudio e vídeo começa a ser definido durante o planejamento. Um projeto mal elaborado nunca permitirá correção satisfatória, sendo que, muitas vezes, a solução é recomeçar tudo do zero. Portanto, planeje tudo com carinho e leia atentamente os manuais de instrução, recomendação aparentemente óbvia, mas indispensável para se extrair o melhor desempenho dos equipamentos.
     Faça um trabalho 100% limpo, sem emendas em fios e cabos. Evite também conectores sem brilho ou oxidados. Cabos de qualidade são importantes, mas, sozinhos, não fazem milagres. As conexões também devem ser mantidas sempre limpas e bem apertadas. Conexões frouxas acarretam gradativa perda na qualidade do som e da imagem.
     Verifique ainda se o rack ou móvel que abriga os equipamentos tem boa ventilação e traz prateleiras rígidas e bem fixadas. Se necessário, procure posicionar a peça no local mais arejado da sala, providenciando também um bom aperto em todos os parafusos e porcas da estrutura do rack (maçanetas, dobradiças, trilhos etc.). Com essa prática, você reduzirá as vibrações do conjunto, mesmo quando exposto à elevada pressão sonora.
     Quanto mais próximos entre si ficarem os equipamentos, maiores os riscos de interferências. Preferencialmente, procure separá-los em blocos, mantendo uma certa distância entre os aparelhos mais sensíveis, tais como fontes digitais (CD, DVD e Blu-ray player, por exemplo), e aqueles que demandam maior potência e corrente, caso do receiver A/V ou amplificador dedicado. E todo o conjunto deve ficar o mais distante possível dos demais itens que formam o bloco de fornecimento e proteção de energia elétrica (condicionadores, estabilizadores e regeneradores de energia). Claro que não falamos de metros, e sim de centímetros, mas quanto mais afastados uns dos outros, melhor a refrigeração e menor a chance de interferências.
     Cabos de força e de sinal não devem se cruzar. Por isso, fique atento à posição dos conectores nos respectivos painéis traseiros, antes de iniciar a instalação. Observe também se não existem antigos aparelhos que só estão ocupando lugar no móvel, como laserdisc e tape deck. Aliás, como a tecnologia se renova muito rapidamente, certamente, o novíssimo home theater que você acabou de montar ficará obsoleto no prazo médio de três anos. Portanto, pense a longo prazo e já reserve espaço e conexões para os novos produtos que chegarão no futuro. Assim, você vai evitar novos gastos com itens de vida útil bem mais extensa, caso dos cabos e do próprio rack.

     Não existe home theater sem uma bela imagem. Na era dos displays e projetores digitais, a correta calibragem dos principais parâmetros (cor, brilho, contraste, matiz e nitidez) com discos específicos para essa função (há modelos próprios para alta definição, como o Video Essentials HD) é bem indicada.
     Nas conexões, evite o erro comumente visto em grandes magazines: a ligação de modernos displays e players via vídeo composto e com cabos de baixa qualidade. Por ordem de desempenho, procure sempre utilizar as entradas e saídas HDMI, DVI ou vídeo componente/RGB, as únicas capazes de transmitir imagens de alta definição. Vídeo composto e S-Video, hoje, destinam-se mais a aplicações de conveniência, onde a preocupação com a qualidade não é primordial.
     No player, que pode ser um DVD convencional, sofisticado Blu-ray, videogame, media center, notebook ou até mesmo um tocador portátil tipo iPod, acione a opção de saída de áudio digital (bitstream), sempre que disponível. Para a aparência da imagem (ASPECT RATIO), escolha a que melhor se adequar ao tipo de TV ou tela utilizada. Se for do tipo 4:3 (convencional), opte por 4:3 PS (Pan&Scan). Sendo widescreen, selecione esta opção ou 16:9.
     Procure explorar também o recurso chamado upscaling (ou upconversion), encontrado na maioria dos DVDs (gravadores e players), reprodutores de discos Blu-ray e media centers. Nele, o sinal originalmente em resolução inferior (480i ou p) pode ser elevado digitalmente para até 1.080 linhas progressivas (1.080p), simulando um resultado similar ao obtido na alta definição.
     O detalhe é que o recurso só traz vantagens quando usado junto a televisores e a projetores compatíveis com alta definição (HD ou Full-HD). Além disso, embora haja exceções, o ideal é sempre selecionar a definição de saída mais próxima da resolução nativa do display. Explicando melhor: ao efetuar a conversão de 480i para 1.080p, por exemplo, é importante que seu TV ou projetor possua essa mesma resolução nativa. Se ele admitir, no máximo, 720 ou 768 linhas progressivas (720p ou 768p), ele precisará fazer um downscaling (downconvertion), que seria o processo inverso, reduzindo a resolução da imagem para adequá-la aos circuitos internos do TV ou projetor. Note, portanto, que, nesse exemplo, ocorreriam dois estágios de processamento da imagem. O resultado desse sobe e desce é quase sempre prejudicial à qualidade da imagem.
     A TV digital é o assunto da moda, mas infelizmente há quem invista pesado em displays de tela fina e conversores de alta definição para equivocadamente conectá-los pelo tradicional terminal de antena (RF). A melhor solução, seja para som ou imagem, são as conexões digitais (HDMI, DVI, S/PDIF etc.), menos suscetíveis a interferências externas e que permitem maior banda passante (quantidade de informações), garantindo a integridade do sinal original. Mesmo assim, e caso seja necessário utilizar conexões de antena num sistema secundário, empregue o melhor cabo possível, semelhante ao utilizado por empresas de TV a cabo, genericamente conhecido como RG-6.
     O receiver é o cérebro do sistema, e por tal motivo merece atenção redobrada. Ainda mais agora que estão chegando modelos com o recurso de upconversion e novos codecs de áudio (DD Plus, Dolby TrueHD e DTS-MA), necessários à exploração de todo o potencial do formato Blu-ray.
     Planeje as conexões com cuidado, pois os melhores receivers permitem até mesmo a configuração individual das entradas digitais. Na tela de setup do modo surround, selecione a opção AUTO, de maneira a identificar automaticamente a presença de um sinal digital, escolhendo ainda a melhor conexão disponível (se possível, trabalhe sempre com HDMI).
     A seleção da impedância adequada das caixas é primordial, pois evitará o superaquecimento do receiver e o aumento das distorções. Na dúvida, aposte no trivial e posicione o seletor do receiver em 8 ohms, que é o valor mais comum.
     Por muito tempo, a perfeita calibragem do sinal de áudio foi motivo para dores de cabeça e muita mão-de-obra, exigindo conhecimento diferenciado e instrumentos de medição específicos. Atualmente, o processo foi simplificado, vez que os modernos receivers já contam com o recurso de calibragem automática, efetuada através de um microfone, geralmente conectado na parte frontal do aparelho. Assim, basta acionar os comandos necessários e deixar que o receiver faça todo o resto. O resultado pode não ser tão preciso quanto o proporcionado por um trabalho profissional, mas na maioria dos casos é plenamente satisfatório.
     O correto posicionamento das caixas acústicas quase sempre é suficiente para garantir uma boa reprodução sonora com total envolvimento. Mesmo assim, e para tirar o maior proveito do conjunto sonoro, é recomendável apoiar bem as caixas, em superfícies rígidas e perfeitamente planas.
     Caixas torre e subwoofers são concebidos para ficarem em contato direto com o piso, ou quando muito sobre outra superfície igualmente rígida (placas de mármore ou granito, por exemplo). Spikes (pontas metálicas destinadas a minimizar a transferência de vibrações) também costumam apresentar bons resultados (algumas caixas já saem de fabrica com eles).
     Os modelos compactos do tipo bookshelf oferecem melhor rendimento quando instalados sobre bons pedestais de estrutura metálica (geralmente aço). Faça uso ainda de adesivos à base de polibutileno (como a massinha Pritt Tak), que não danificam as caixas e, ao mesmo tempo, garantem a fixação e a segurança. Ajudam também no controle de vibrações entre caixas e pedestais.

    
 É um capítulo à parte, pois nela reside o segredo final para a boa reprodução musical. O ideal é sempre contratar a consultoria de um bom profissional na área, solução geralmente demorada e de custo elevado.
     Quando isso não for possível, utilize o bom senso na composição do ambiente e evite materiais frios (pisos de cerâmica, mármore) e muito reflexivos com grandes áreas envidraçadas. Por outro lado, adote grossas cortinas, estofados e tapetes. Para home theater, é melhor contar com uma sala amortecida do que com um ambiente muito vivo e reflexivo, onde os ecos são inevitáveis.
     Salas temáticas ou com diversos acessórios de decoração podem conferir um grande charme ao ambiente, mas devem ser pensadas com critérios. Badulaques mal fixados ou em excesso tendem a vibrar em momentos de elevada pressão sonora, ocasionando incômodo ruído do tipo vidro batendo. Assim, a sugestão é retirar do local tudo que não seja estritamente necessário ao desempenho do sistema ou à composição confortável do ambiente. E nos casos em que não dá para se livrar deles (sempre haverá o fator esposa), procure minimizar sua influência na performance do home theater. Como? Isolando estes objetos do contato com outras superfícies (pés auto-adesivos de borracha ou silicone sempre resolvem) e retirando-os do caminho direto do campo sonoro e da imagem.
     Na hora de evitar que o som vaze para outros ambientes, ou mesmo a entrada de ruídos externos, a dica é instalar feltros ou espumas adesivas nos vãos de portas e janelas. Assim, você terá uma vedação adicional.

        Tudo bem que cinema se assiste no escuro e, portanto, a iluminação do ambiente não deveria ser problema, bastando apagar as luzes. Infelizmente, num ambiente doméstico, com várias pessoas e hábitos diários diferentes, nem sempre é possível deixar a sala na maior penumbra durante a exibição de um bom filme.
Então, o negócio é levar em conta a utilização principal do ambiente, bem como os costumes dos usuários, lembrando que até mesmo a escolha errada da cor ou do revestimento empregado nas paredes pode comprometer a qualidade da imagem. Evite, por exemplo, cores muito claras e acabamento brilhante.
     Sempre que possível a iluminação deve ser suave e indireta, condição em que a luz é projetada para o teto ou para as paredes, não incidindo diretamente sobre a tela. Outra solução interessante é adotar luminárias de teto ou de canto, tipo spot ou de sobrepor, onde o conjunto luminária/lâmpada pode ser embutido em sancas de gesso e direcionado para longe da imagem. Abajures também são bem-vindos, e podem até mesmo ajudar a compor um clima mais intimista ou romântico. E melhor ainda se toda a iluminação do ambiente for controlada por painéis de automação, que permitem até coordenar os pontos de luz para diversas situações, como receber os amigos ou ver um filme.

Neste item, não se esqueça de revisar todas as tomadas de energia e instalações internas do quadro de força. Verifique tanto o quadro instalado dentro da residência como o de entrada de força, apertando com firmeza parafusos de contato, polindo terminais que apresentem sinais de escurecimento e oxidação, ou mesmo substituindo qualquer material fora das condições ideais de uso. Essa pequena seção de manutenção elétrica costuma trazer benefícios imediatos, e a custo praticamente zero.
     E se houver disposição para ir além, substitua a fiação por outra de maior calibre e qualidade. Adote ainda disjuntores de procedência confiável e procure ligá-los em circuito dedicado ao ambiente de home theater. O ganho de qualidade será certo.

 

     
    A maioria das pessoas acredita que os aparelhos não necessitam de  limpeza periódica, ou ainda que basta passar o aspirador de pó para resolver tudo. Engano feio!
     É recomendável que, a cada seis meses, seja feita uma limpeza mais caprichada do sistema – equipamentos e conexões. Aproveite para polir conectores e terminais de painel, aplicando ainda algum material anti-corrosivo e desoxidante (o CorrosionX é uma boa pedida). Depois, retire o excesso com um pano limpo, deixando apenas uma fina camada protetora e refaça a instalação, deixando todas as conexões bem firmes e apertadas.
     E cuidado ao limpar a tela do display. Recentemente, chegaram ao mercado alguns produtos de origem duvidosa (muitos sem qualquer referência ao fabricante e à composição química). Com isso, você pode colocar em risco a integridade do equipamento, principalmente das telas LCD, que não contam com vidro protetor como os plasmas.
     Caso o produto de limpeza não lhe inspire confiança, o melhor é ainda adotar o bom e velho pano ou chumaço de algodão levemente umedecido com água. Em seguida, vá alternando sua passagem sobre a tela com outro pano, este bem macio e totalmente seco.

Tire suas dúvidas sobre áudio surround


por Por Vinicius Barbosa Lima
Certamente, você já viu os nomes e os logotipos de diversos processamentos surround estampados no gabinete de algum receiver ou Blu-ray player. E se o modelo for 7.1 canais, o número de simuladores e de padrões de áudio multicanal aumenta. Novas opções surgiram ainda com a chegada do formato Blu-ray. Descubra, a seguir, para que servem (e onde estão presentes) os principais processamentos e saiba como aproveitar melhor o som do seu sistema.



O QUE É?Evolução do Dolby Pro-Logic (4.0), o processamento DPL II consegue extrair 5.1 canais a partir de fontes estéreo, como CDs de música, fitas VHS e canais de TV. Sua versão mais atual é o DPL IIx, que é capaz de simular 7.1 canais a partir de sinais estéreo e DVDs 5.1. Os dois formatos contam com as opções Music (para shows em DVD e CDs) e Movie (para filmes).
ONDE ENCONTRAR?Assim como os modos Dolby Digital 5.1, Dolby Digital EX, DTS 5.1, DTS-ES e DTS Neo:6, estão presente em receivers, processadores, sistemas integrados e algumas placas de áudio para computadores.
APLICAÇÃO:O modo Music é eficiente na reprodução multicanal, a ponto de superar até mesmo o DD 5.1, principalmente se a trilha 2.0 ou PCM (padrão para CDs de áudio) estiver melhor mixada. Permite boa reprodução de graves, principalmente em música pop, além de uma correta ambiência (característica que ajuda a recompor a sensação de realidade) e detalhamento sonoro. O áudio, às vezes, dá ênfase ao canal central. É também plenamente convincente na reprodução de filmes em DVD ou de TV aberta/paga (desde que o sinal transmitido seja estéreo). Caracteriza-se por disponibilizar uma equilibrada distribuição dos sons por todos os canais, principalmente em sistemas 7.1, provando que o upgrade para DPL IIx foi uma das melhores sacadas da Dolby.



O QUE É?
Trata-se do formato mais difundido e encontrado nos títulos em DVD. Pode ainda estar presente em discos Blu-ray e em alguns arquivos baixados da internet.

APLICAÇÃO:
Garante detalhamento e envolvimento na hora de ouvir música, desde que não se exagere no volume dos canais surround. A região média (vozes) é geralmente reproduzida com clareza e precisão. Mas pode ocorrer falta de peso e impacto, principalmente com instrumentos de percussão. Com boas gravações em DVD, o padrão mostra todo o seu potencial, proporcionando uma impressionante profusão de sons por todos os lados.



O QUE É? Upgrade do DD 5.1, o DD EX pressupõe a gravação de uma trilha exclusiva para o terceiro canal surround. O objetivo é conseguir um melhor envolvimento sonoro em grandes ambientes, equipados com três ou quatro caixas traseiras (sistemas 6.1 e 7.1 canais). Infelizmente, poucos DVDs oferecem áudio 6.1. Na lista, estão 007 – Um Novo Dia Para Morrer, Monstros S.A. e as séries Star Wars e O Senhor dos Anéis.
APLICAÇÃO:
É um formato para filmes, e o maior envolvimento proporcionado pelo canal traseiro adicional procura nos colocar virtualmente no centro da aventura, dando a sensação de que os sons (tiros ou portas rangendo, por exemplo) estão realmente ocorrendo dentro da sala. Curiosidade: alguns filmes codificados em DD EX ainda trazem excelente mixagem no canal LFE (exclusivo para sons graves), fazendo com que o subwoofer atinja altos níveis de pressão sonora nos momentos certos.


O QUE É? Até o surgimento do Blu-ray, o DTS 5.1 era considerado o melhor modo surround. O maior bit-rate (taxa de transferência) e a mixagem, efetuada com 4dB acima do padrão Dolby, garante a ele maior impacto e pressão sonora.

APLICAÇÃO:Ótimo para reprodução musical, apresenta vozes cristalinas, instrumentos encorpados e excelente distribuição por todos os canais. Demonstra também sua força em filmes, principalmente nas seqüências recheadas de explosões e perseguições, momentos em que os canais surround desfilam competência. Ainda é o mais completo para o grande público, batendo com folga o já bom Dolby Digital.

 
O QUE É?
Se o DTS já é superior na versão 5.1, o acréscimo de um terceiro canal traseiro levou ainda mais diversão ao home theater. Afinal, com informações próprias para serem reproduzidas por uma (ou duas) caixa(s) acústica(s) extra(s), seu sistema pode ser transformado num legítimo 6.1 (ou 7.1) canais. A exemplo do Dolby Digital EX, são igualmente raros os títulos com mixagem em DTS-ES, mas vale a pena ir atrás deles.

APLICAÇÃO:
Upgrade do tradicional DTS 5.1, é  natural que o DTS-ES evidencie as vantagens do canal traseiro adicional, aumentando a sensação de envolvimento. 

O QUE É?
Grande rival do Dolby Pro-Logic II/IIx, é capaz de extrair até 6.1 canais a partir de fontes estéreo e DVDs 5.1. Também apresenta modos especiais para música e filmes.
APLICAÇÃO:
Mesmo no modo Music, gera alterações nos timbres das vozes (sons analasados), o que torna esse processamento pouco indicado para música. Também é possível notar uma certa valorização das altas freqüências nos canais frontais, reproduzindo um áudio ligeiramente estridente em relação ao do DPL II/IIx. Por outro lado, oferece amplo palco sonoro (sensação de estar de frente para o palco de uma sala de espetáculos, com sons vindos de todos os lados), com maior largura e altura. Em certas cenas de DVDs, o espectador tem até a impressão de que a gravação traz 6.1 canais independentes. Mas cuidado com o volume do subwoofer, que pode se mostrar exagerado em alguns momentos, exigindo intervenção. No geral, é inferior ao Dolby Pro-Logic II/IIx.

O QUE É?Aqui, ao contrário do que ocorre nos modos DPL II/IIx e DTS Neo:6, não há simulação digital dos demais canais, mas sim a divisão igualitária do som estéreo por todas as caixas acústicas. Dessa forma, o som que sai pelas demais caixas é exatamente o mesmo dos canais frontais. O nome desse processo varia de acordo com o fabricante: a Onkyo utiliza “All Ch Stereo” e a Denon “5CH/7CH Stereo”, por exemplo.
ONDE ENCONTRAR?Receivers, processadores e alguns sistemas integrados.
APLICAÇÃO:O desempenho geral será ditado basicamente pelo sistema de caixas acústicas. Por isso, todo o conjunto deve acompanhar o mesmo padrão. Na reprodução musical, é capaz de preencher a sala de forma natural, sem os artifícios comuns aos demais processamentos digitais. Preserva, quase que integralmente, as principais características contidas no sinal original em estéreo. É uma das melhores opções para se ouvir música multicanal. Esse modo surround também pode proporcionar boas melhoras no som dos canais de TV, até mesmo nos casos em que a programação é transmitida em mono.

 
O QUE É?
É uma etapa de pós-processamento, que pode ser aplicada sobre qualquer outro modo surround existente. Trata-se de uma re-equalização sonora planejada pela LucasFilm, que atua sobre os convencionais DD e DTS. Num receiver com certificação THX, você pode escolher entre curtir as trilhas DD e DTS tradicionais contidas no disco DVD, ou ainda ouvi-las adicionando o processamento THX, que oferece os modos Cinema ou EX (este último destinado à reprodução em 6.1 canais). 
ONDE ENCONTRAR?
Receivers, processadores e sofisticadas placas de áudio para computadores.
APLICAÇÃO:
É um formato 100% dedicado à reprodução de filmes, que não se sai bem com música – o som fica apagado e abafado, resultado da re-equalização que atua nas altas freqüências. Mas, ao acrescer o processamento THX em filmes, o peso sonoro torna-se impressionante. Parece até que o subwoofer e as demais caixas “dobram” de tamanho e volume, passando a real sensação de ouvir os mesmos timbres sonoros apreciados em boas salas de cinema.


O QUE É?
Grande evolução do Dolby Digital (5.1 canais), o DD+ pode conter até 14 canais de áudio e foi criado para o formato Blu-ray. Pode ainda ser utilizado em transmissões da TV digital. Um dos segredos de sua elevada qualidade está no aperfeiçoamento algoritmo de compressão, que aliado à alta taxa de transferência do sinal (bit-rate) permite atingir taxas incríveis de 6.144Mbs (são apenas 640Kbs no Dolby Digital convencional).
APLICAÇÃO:O uso do DD+ está limitado aos discos Blu-ray. O novo formato requer o uso de decodificadores específicos, que só agora começam a aparecer em alguns receivers à venda lá fora. Para curtir o formato DD+ nos dias de hoje, só  mesmo via HDMI ou fazendo uso das saídas 5.1 discretas do player – o aparelho internamente decodifica os sinais, que são enviados em formato PCM, sem compressão, para as saídas citadas. Em nossos recentes testes com players Blu-ray, pudemos conferir o excelente potencial do DD+ na reprodução de filmes e músicas. A qualidade de áudio revela ótimo envolvimento e competente reprodução de microdetalhes, superando o conhecido Dolby Digital.


O QUE É? Também destinado aos discos Blu-ray, é o processamento multicanal mais avançado da Dolby. Emprega uma versão do conhecido processo MLP (Meridian Lossless Packing), utilizado no DVD-Audio. Caracteriza-se por ser um formato sem compressão e perdas (lossless), que trabalha com bit-rates elevadíssimos – pode chegar a 18Mbs em até 8 canais de áudio com resolução de 24 bits e amostragem de 192kHz. Para apreciá-lo em sua forma mais pura, sem conversões ou downsamplers digitais, é necessário dispor da interface HDMI 1.3, algo ainda raro nos equipamentos de áudio e vídeo.
APLICAÇÃO:
A exemplo do DD+, está limitado aos discos Blu-ray. Seu grande fluxo de dados, por enquanto, inviabiliza o armazenamento e a transmissão por qualquer outro tipo de mídia e aparelho. Como ainda não estão disponíveis no País receivers ou processadores externos dotados de decodificadores DD TrueHD, todo o processamento ocorre dentro do player. Assim, após decodificar o sinal, este é convertido para o formato PCM e posteriormente enviado às saídas analógicas ou digitais, sendo possível constatar considerável ganho em relação aos modos surround convencionais. Oferece ainda excepcional qualidade de áudio na reprodução musical em alta fidelidade. O som resultante é consideravelmente mais limpo e detalhado, sob medida até para o público high-end.


O QUE É?
Concorrente direto do DD TrueHD, suporta até 8 canais de áudio (7.1) e apresenta qualidade e desempenho equivalentes. Trabalha com resolução de 24 bits (96kHz) e bit-rate de até 24Mbs, sem perdas e compressão (lossless). Também necessita da interface HDMI 1.3 para ser carregado em formato 100% digital.
APLICAÇÃO:Filmes e musicais oferecidos em mídias Blu-ray. Aqui, a tradicional vantagem da DTS sobre os processamentos Dolby já não fica evidente: ambos apresentam desempenho similar, principalmente em filmes. Na reprodução musical, confirma-se o impecável desempenho de seu irmão mais velho (DTS 5.1), com áudio cristalino e extremos muito bem definidos e controlados. A exemplo do DD TrueHD, tem tudo para fazer a cabeça do público audiófilo num futuro próximo.

Potência: de quanto você precisa?


por Robert Harley
 
A maioria das pessoas, quando vai comprar um receiver ou caixa acústica, dá muito valor à potência. Na verdade, essa especificação é apenas um dos critérios que devem ser levados em conta – e nem é o mais importante. O fato de ter alta potência não significa que um aparelho vai soar melhor. O segredo está na boa integração entre receiver (ou amplificador+processador) e caixas. Mas, para isso, é preciso entender bem o que significa potência.

Primeiro, vamos explicar o que aconteceu quando o mundo passou do som estéreo – que dominava o mercado até meados dos anos 80 – para o som multicanais. Com a popularização dos sistemas de home theater, os fabricantes viram-se diante de um dilema. Os usuários do estéreo estavam acostumados a altas potências, na faixa das centenas de watts para cada um dos dois canais. Mas, num sistema de cinco canais, é impossível construir amplificadores em escala comercial com esse nível de potência em todos os canais.

A solução – goste você ou não – foi fazer os receivers e amplificadores multicanais parecerem ter mais potência do que possuem de fato. É o que ocorre quando se lêem as especificações de um receiver: “X watts de potência contínua RMS a 8 ohms, com 20-20.000Hz e não mais do que X% THD, com todos os canais acionados”! Esta é uma especificação honesta, pois permite comparar de forma justa produtos de marcas diferentes.
Independente dos números, o importante é saber que a potência de um aparelho está sempre associada a outros parâmetros: sensibilidade (no caso da caixa acústica), resposta de freqüências (é preciso saber se a potência indicada é alcançada em toda a faixa, de 20 a 20.000Hz, ou apenas em parte dela), a impedância utilizada durante a medição, e por aí vai.
Ou seja, dependendo de como a potência foi medida, pode-se ter resultados finais distintos daquele que um usuário imagina ao comprar seu aparelho. No caso de um home theater, com 5, 6 ou 7 canais, é claro que a potência inicial se divide entre eles. É por isso que os bons fabricantes medem a potência “com todos os canais ativados”, e é aí que se conhece um bom receiver. Afinal de contas, a trilha sonora de um filme nunca traz sons apenas neste ou naquele canal, mas em vários canais ao mesmo tempo.

O amplificador – que pode ser um módulo à parte ou estar “embutido” no receiver – é o coração de um sistema de áudio. O sinal que sai do DVD player é do tipo line-level (sinal de linha), sem amplificação. Para ser reproduzido pelas caixas acústicas, ele passa pelo estágio de pré-amplificação, dentro do receiver. E, como todos os canais contêm sons do filme, quanto melhor for a performance desse estágio, melhor o resultado final.
Regra geral, um amplificador multicanal modular possui estágios internos superiores aos de um receiver. Tomando por base os modelos hoje à venda no mercado, os receivers mais potentes atingem a faixa de 150W em cada canal, enquanto os amplificadores chegam a oferecer 350W. Mas, como dissemos, isso não é tudo. É preciso checar outras características do aparelho, como construção, acabamento, tipos de conectores, fonte de alimentação, nível de aquecimento etc.

Num sistema ideal, há um amplificador para cada canal – um home theater 5.1 seria algo como cinco amplificadores mono trabalhando em conjunto. Mas, na prática, utiliza-se um receiver ou amplificador identificado como 5CH, o que significa cinco estágios internos de amplificação; pode-se montar o sistema também com dois amplificadores: um 3CH para os canais frontais e outro, estéreo, para os canais traseiros (o subwoofer é tratado neste artigo). Essa última configuração tem a vantagem de você poder ir fazendo o upgrade conforme o número de canais exigido: se quiser passar de um sistema 5.1 para um 7.1, por exemplo, bastará acrescentar mais um amplificador estéreo.

 O receiver é mais usado por razões de custo: é mais barato um módulo de cinco canais do que cinco módulos mono, certo? Isso nos leva à questão crucial: de quantos watts necessitamos para ter uma boa qualidade de áudio? A resposta é: depende. Entram nessa avaliação as dimensões e características acústicas da sala, e até os gostos do usuário (certas pessoas adoram ouvir tudo em volumes altíssimos, algo que particularmente considero prejudicial ao conceito de entretenimento).
A maioria dos receivers à venda atualmente varia entre 65 e 200W de potência de saída. Podemos dizer que isso atende a praticamente todos os tipos de sala. As variantes principais são o tamanho e a capacidade de absorção sonora do ambiente. Uma sala “morta”, como se costuma dizer, é aquela que absorve muito o som, geralmente em função do uso de amplos estofados, cortinas de tecido grosso e grandes móveis de madeira (estantes com muitos livros, por exemplo).
Se sua sala é desse tipo, saiba que você vai precisar de muita potência. Retirando (ou reduzindo) os estofados e a madeira, pode-se trabalhar com menos potência. Mas é preciso ainda ser observado o tamanho da sala, medido em metros cúbicos (m3). Se o pé-direito é superior a 3m, você também vai precisar de mais potência.

Mas cuidado: as potências do receiver e das caixas acústicas têm que ser equilibradas. Quando falta esse equilíbrio, dois problemas podem ocorrer: distorções no som e danos aos alto-falantes, que em casos extremos podem até queimar.

De modo geral, recomendamos um bom investimento em receiver (ou amplificador) de alta potência, ainda que sejam mais caros. Por que? A potência de saída indica a capacidade do aparelho conduzir mais corrente elétrica às caixas acústicas. É essa corrente que faz os cones dos falantes se moverem para criar som. Quando falta potência ao receiver, o som se torna forçado, “duro” ou até distorcido. E você perde a dinâmica e o impacto dos bons filmes.

Mas, se a potência do receiver for muito mais alta que a suportada pelas caixas, você terá desperdiçado dinheiro. E isso é tão importante quanto observar um outro aspecto das especificações de uma caixa acústica: a sensibilidade (em inglês, sensitivity). Ela indica quanto da corrente elétrica fornecida pelo amplificador é de fato convertido em som. A sensibilidade é medida em decibéis por watt em um metro. Para ter uma idéia de como isso afeta a qualidade sonora, basta dizer que uma diferença de 3dB corresponde a 50% da potência. Em outras palavras: uma caixa com 90dB precisa de apenas metade da potência exigida por uma com 87dB.

A vantagem disso é que, se suas caixas são de alta sensibilidade (acima de 89dB), você pode utilizar receivers de potência mais baixa para atingir o mesmo resultado sonoro. Portanto, da combinação entre esses fatores (potência, sensibilidade, tamanho e acústica da sala) é que se chega a um bom sistema de home theater.

Existe um método para calcular a potência ideal a uma sala? Sim, isso pode ser feito “in loco”, usando-se instrumentos de medição como o decibelímetro (também chamado SPL meter, ou “medidor de nível de pressão sonora”). Mas não existe fórmula mágica.
O importante é saber que um bom sistema de caixas deve ser capaz de responder a toda a potência de saída do amplificador ou receiver. Quando a amplificação é insuficiente, os picos sonoros de um filme (como explosões, tiros e ruídos de naves espaciais) e os efeitos especiais perdem impacto. Mais do que isso: perdem aquela naturalidade que nos envolve e nos faz mergulhar na ação.

Como costumamos dizer, é o filme que precisa ser visto e ouvido, não o equipamento. Quando isso não acontece, a maravilhosa ilusão do cinema vai embora.