As dicas da THX para ajuste de home theater 3D
por John Dahl*
A revolução do 3D já começou e é empolgante, mas também levanta uma série de questões entre os profissionais de equipamentos eletrônicos, a respeito dos ajustes para salas de home theater e da calibragem dos aparelhos. Na THX, estamos trabalhando com nossos parceiros da área de displays - e também com o Consórcio 3D@Home e outras entidades normatizadoras - para educar tanto os profissionais da indústria quanto os consumidores sobre a melhor forma de criar uma experiência 3D de alta qualidade.
Três aspectos principais precisam ser otimizados para se chegar uma experiência agradável em 3D: a qualidade do conteúdo, o display e a sala propriamente dita. Você, que é instalador, não tem muito controle sobre o conteúdo, a menos que esteja pensando em produzir seu próprio filme em 3D. Mas pode influenciar na qualidade do display ou do projetor 3D de seu ciente, além do ajuste correto da sala e da calibragem.
Ao escolher um display, tome como ponto de partida a melhor performance possível com imagens 2D. Depois, verifique se o aparelho tem alta luminosidade. Na reprodução de conteúdos 3D, é importante que o TV ofereça baixo nível de crosstalk (a interferência entre os sinais esquerdo e direito) e seja capaz de sincronizar os óculos de modo confiável - estes devem ter a mesma cor e densidade nas lentes direita e esquerda. Os displays certificados pela THX apresentam todas essas características.

Ao calibrar o display, faça todas as medições usando as lentes do próprio óculos 3D, que um elemento crucial para o desempenho do sistema. Para o posicionamento do display, a THX recomenda um ângulo horizontal entre 36 e 50 graus, em relação à posição central de visualização. Para telas 16:9, caso a distância do sofá seja de 2m70, por exemplo, o tamanho da tela deve ser de 65 a 100 polegadas. Em geral, para assistir a imagens tridimensionais, telas maiores exigem distâncias maiores, para reduzir a fadiga visual.
Seja com TV ou tela de projeção, é interessante manter estreita a área de visualização, evitando que as pessoas sentem-se muito nas laterais da sala. Por que? Toda filmagem em 3D é feita com a câmera de frente para a imagem. Dessa forma, obtém-se melhor visualização também numa posição frontal; posições laterais resultam em imagens menos naturais. Além disso, sabe-se que alguns displays LCD e telas de projeção deterioram significativamente a imagem quando vista de lado.
Outro detalhe importante é a iluminação da sala. As imagens 3D têm apenas 20% a 30% do brilho das convencionais (2D). Deve-se evitar elementos que distraiam a atenção do espectador, como luzes e objetos reflexivos próximo à tela; reflexos de luz incidindo sobre a tela; objetivos muito coloridos e/ou brilhantes; paredes iluminadas e tudo que esteja no campo de visão do usuário. Com menos distrações, é mais fácil "enganar o cérebro" para ser envolvido pela simulação 3D.
Embora seja fácil criar um efeito 3D, recriá-lo no ambiente doméstico não é - a menos que você otimize o rendimento do display e as condições da sala. Observando esses aspectos, você conseguirá produzir o envolvimento e o relaxamento ideais numa boa experiência 3D.
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COMO PROTEGER (MESMO) SEUS EQUIPAMENTOS
Por: Ricardo Marques
Você investiu em um novo televisor e aproveitou para fazer um upgrade no seu sistema de home theater. Só esqueceu de um detalhe importantíssimo: dar a proteção adequada para esses equipamentos. Enquanto nos EUA o consumidor está acostumado a investir na proteção da rede elétrica, no Brasil a realidade ainda é diferente. Os especialistas apontam que o custo de proteção deveria variar entre 5% e 12% do investimento feito no home theater. Assim, um sistema de R$ 10 mil, exigiria um investimento de R$ 500 a R$ 1.200 em proteção elétrica. Obviamente, quanto maior for o investimento no seu sistema maior será o nível de exigência na proteção dele.
Para aqueles que pensam que o maior prejuízo que esse tipo de variação pode causar se restringe a queima dos equipamentos, é bom ressaltar que variações de tensão mais leves vão minando os circuitos internos dos produtos eletrônicos, diminuindo sensivelmente a vida útil deles. “É um erro acreditar que o prejuízo é sempre imediato, muitas vezes a redução no tempo de utilização dos itens eletrônicos acontece diariamente, com problemas na rede quem nem notamos”, diz Gladstone Freire Junior, diretor de engenharia da Savage, fabricante nacional de equipamentos de proteção. A mesma opinião tem Carlos Dalmarco, diretor da distribuidora catarinense Syncrotape, que oferece equipamentos da Panamax e da Monster. “Claro que todo equipamento eletrônico tem uma tolerância a esses pequenos surtos, mas quanto menos ele estiver exposto, maior a garantia de sua durabilidade”, comenta.
DE ONDE VEM O PERIGO?
Todos sabemos que a energia que recebemos é gerada por usinas, em sua grande maioria hidrelétricas, sendo complementadas por nucleares, térmicas e outras usinas menos expressivas como as eólicas e as de biomassa. Hoje, o Brasil conta aproximadamente com 90 mil quilômetros de linhas de transmissão, por esse motivo não é de estranhar que a energia que chega em nossas casas esteja repleta de “impurezas”. Isso ocorre porque ao ser distribuída para as residências, fábricas e comércio, a elevada demanda de carga e a forma que ela é consumida acaba por gerar harmônicos múltiplos da freqüência fundamental (60Hz no Brasil), que causam uma deformação na onda original e acabam por comprometer o desempenho dos equipamentos. Ao recebermos essa energia “impura”, sem um equipamento adequado – o ideal seria o uso de um condicionador de energia – é que percebemos ruídos, chiados e até mesmo interferências na imagem exibida em nossos televisores.
Embora na maioria dos casos o problema venha de fora para dentro, alguns equipamentos que temos em nossa própria residência podem contribuir com esse tipo de situação, devido a má construção da rede interna de energia das residências. É a velha história de ligar um aparelho na cozinha e ele interferir no som da TV que está na sala. Há ainda o caso de residências próximas a estações de rádio, TV ou torres de celulares, que também são responsáveis por alterações na rede elétrica e causam interferências eletromagnéticas e de radiofreqüência. Nesse caso, o uso do condicionador de energia é a melhor solução.
AS OPÇÕES PARA CADA FINALIDADE
O mercado disponibiliza uma boa variedade de produtos para proteger os equipamentos de surtos e sobrecargas ou filtrar as impurezas da rede elétrica. No entanto, esses acessórios estão distribuídos em categorias, cada uma específica para desempenhar um tipo de função. Conhecê-las e entender o seu funcionamento é ideal para não errar na hora da escolha.

Filtros de linha - A mais simples das soluções, se popularizou no segmento de informática. No entanto, vale ressaltar que estamos falando de filtros específicos para equipamentos de áudio e vídeo, com um varistor capaz de oferecer proteção contra pequenos surtos de energia, direcionando essa anomalia da rede para o aterramento (veja detalhes no Box). Observe a capacidade de tomadas que o filtro possui e a potência admissível do equipamento. Normalmente, potência de 1.000W (1KVA) são suficientes para receber os itens de um sistema básico de home theater. Mas fica um alerta: “não adianta proteger todos os equipamentos e deixar o cabo do telefone e a antena RF de fora. Esse é o principal erro de muitos sistemas e onde ocorre o “furo” da bolha de proteção”, explica Dalmarco. Por esse motivo, os modelos apropriados para áudio e vídeo trazem, além das tomadas de energia, entradas para esses outros conectores, por onde também podem chegar descargas elétricas.

Transformador de voltagem - Não é um dispositivo de proteção e por isso não deve ser utilizado com essa finalidade. Ele existe basicamente para reduzir a tensão da rede de 220V para 110V e por isso deve ser usado com algum outro acessório que filtre as impurezas.
Módulo de isolamento - Isola o sistema eletronicamente da rede. Para fazer esse isolamento ele não tem um referencial de neutro, assim cria-se um terra de referência que balanceia as duas fases e cancela os ruídos comuns, também chamados de brancos ou de baixa freqüência. Pode ser uma boa opção para aumentar a proteção dos equipamentos em residências sem aterramento. Essa solução também pode auxiliar na eliminação de ruídos em locais com tensão de 220V bifásico (110+110V).

Estabilizadores de voltagem - Esses aparelhos identificam flutuações lentas de tensão. Atuam pegando uma faixa grande de variação e diminuem para entregar uma flutuação estreita, próxima da ideal, na sua saída. Eles não vêem surtos rápidos de tensão, papel que cabe aos condicionadores, mas seguem a norma da ABNT atuando em ciclos de 16 milisegundos (o que para energia elétrica é muito tempo), característica que permite a esses equipamentos corrigirem variações constantes de tensão, reduzindo ou elevando esses números para valores ideais.

Condicionadores de energia - Aqui, encontramos um produto feito sob medida para sistemas de home theater. Para limpar as interferências eletromagnéticas e de radiofreqüência é colocado um circuito eletrônico na última etapa do condicionador. Esse circuito não tem robustez para absorver os surtos, no entanto é eficiente para capturar o residual que passa pelo primeiro estágio de proteção, que é efetivamente quem pega o grosso das variações bruscas de tensão. Por isso são chamados de circuitos seguidores de senoide, pois atuam como se estivessem desenhando a curvatura da “senoide perfeita”, atuando numa faixa estreita e absorvendo os ruídos da rede. Os mais sofisticados oferecem recursos de automação, o que garante um consumo de energia mais eficiente, já que o consumidor pode solicitar a energização apenas dos itens que estão sendo usados naquele momento.
Por tudo isso é que, em primeiro lugar, o consumidor deve procurar um condicionador de energia para o seu sistema. O estabilizador, por exemplo, seria indicado para casos extremos de variação de tensão, acima de 15%. Ainda assim, a maioria dos equipamentos hoje funciona com fontes chaveadas e possuem bivoltagem automática, adaptando-se automaticamente a pequenas variações de tensão. Uma exceção é o receiver, que não tem fonte chaveada e em geral funciona em 110V. Nesse caso, se ocorrer muita variação de tensão, é fundamental utilizar um estabilizador de energia.